Gostamos de sofrer?

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Publiquei este artigo em Janeiro de 2013, mas fiz questão de republicá-lo agora, por perceber que as pessoas sempre buscam uma resposta para seus sofrimentos, por não conseguirem  se libertar deles:

Gostamos de sofrer?

Quando faço esta pergunta em minhas palestras, imediatamente as pessoas balançam a cabeça negativamente, afinal, ninguém acredita que veio ao mundo para sofrer, muito menos para se sentir desconfortável; o que todos querem é sentir amor, confiança, paz, prosperidade, segurança e êxito; porém, por incrível que pareça, nos acostumamos com o sofrimento. O nosso cérebro responde as sensações a ele destinadas, porém não diferencia o que é bom do que é ruim sozinho, esta tarefa quem executa é a parte consciente e não a inconsciente do cérebro; muitas vezes, quando vimos uma pessoa sofrendo em uma determinada situação, ficamos admirados e pensamos: ” por que ela não larga isso de vez” ou como de costume: ” por que não chuta o balde?”. Acontece que de uma certa forma, aquela situação por mais conflituosa que pareça, oferece um determinado prazer e ou êxtase para quem está envolvido nela, causando um certo apego  dependência e até mesmo vício. Pobre daquele que entrar no meio, será o único que sairá perdendo.
Podemos ter como exemplo um casal que vive junto ha um determinado tempo, mas que não combina de forma alguma; brigam, brigam, porém continuam ali, como um ioiô  vai e volta. O que leva este casal a permanecer na relação é o fato de terem se acostumado as brigas, as sensações de dor, as ofensas e até aos palavrões ditos em momentos de raiva. Isso simplesmente acontece pelo fato de um ter a atenção do outro quando as brigas acontecem; não que eles conscientemente aprovem isso, mas inconscientemente, e se tornam cada vez mais dependentes, permissivos. As vezes este casal tem mais prazer neste momento de crise do que quando estão em harmonia, e muitas vezes, este momento de crise pode ser muito mais duradouro na vida deles que os bons momentos. Quando nós estamos em conflito com alguém, ou com alguma situação, estamos presos a ela, a partir do momento em que aquilo deixa de ser importante para nós ou para a nossa vida, e passamos a ignorá-la, nos desprendemos, nos desapegamos, nos libertamos. Se nessa relação pelo menos um deles se desprende e consegue enxergar que ali existe nada mais que um círculo vicioso, que não os levará a lugar algum, por mais que sofram com o desenlace, poderão se libertar e ter novas oportunidades. Pecam ainda mais, quando acreditam que o outro irá mudar, afinal, as pessoas podem sim rever seu comportamento e aprimorar, mas mudar em função do outro é quase impossível, e se isso acontecer, com certeza terá um prazo de validade.
O que podemos fazer em uma situação em que haja sofrimento, qualquer que seja ela é: refletir sobre o quanto precisamos permanecer nela, sobre o quanto ganhamos e o quanto perdemos. Afinal, somos adaptáveis e nada é insubstituível. Pare de sofrer! Claudia Menezes.

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2 respostas a Gostamos de sofrer?

  1. João diz:

    Muito bom o artigo!!
    Essa capacidade estranha que temos de nos acostumar ao sofrimento, está associada ao comodismo implícito ou explícito que nos colocamos nas dadas situações de “sofrimento”. O medo é outro elemento que nos paralisa e nos deixa em um longo estágio de inércia.
    Em sintese é necessário eliminar o comodismo e trabalhar o medo de mudar, para assim minimizar os efeitos do “sofrimento”.

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